A importância de olhar para a governança ao aplicar IA no varejo

por Felipe Hilgenberg, Diretor de IA da Connectly
30 de dezembro 2025

A governança de IA tornou-se peça central para varejistas que dependem de dados, velocidade e personalização para competir em um mercado cada vez mais digitalizado. Em um ambiente onde 70% dos carrinhos são abandonados e o WhatsApp concentra 147 milhões de usuários, a adoção de IA precisa ser segura, ética e alinhada à LGPD, especialmente quando decisões automatizadas impactam receita, atendimento e retenção.

Ao mesmo tempo, o varejo brasileiro enfrenta dores já conhecidas: silos entre Marketing, Vendas e Suporte, dificuldade de integrar sistemas (ERP, CRM, e-commerce), baixa visibilidade sobre ROI de tecnologias e riscos associados ao mau uso de dados. Nesse cenário, a governança passa a ser o mecanismo que garante qualidade, controle e previsibilidade nas aplicações de IA, evitando tanto riscos regulatórios quanto experiências frustrantes.

Neste artigo detalho as principais causas dessa dor e como o varejista deve se preparar para lidar com o tema sem ficar para trás na implementação dos modelos mais inovadores de atendimento ao cliente.

Por que Governança de IA é um imperativo no varejo brasileiro

A governança de IA vai além de políticas internas; ela estabelece como a tecnologia aprende, decide, interage e se conecta aos sistemas do varejista. Com volumes massivos de dados sensíveis (histórico de compra, preferências, comportamento em canais), varejistas precisam de:

Sem governança, a IA pode interpretar dados incorretos, violar políticas de privacidade ou gerar respostas desalinhadas ao contexto da marca, riscos que afetam diretamente NPS, ROI e confiança do consumidor além de poderem causar problemas legais para a organização.

IA de alta qualidade como base da governança

Uma governança robusta começa pela qualidade dos modelos de IA. No varejo, isso significa operar com agentes capazes de:

Exemplo prático

Vamos supor que uma rede de moda integra sua IA conversacional ao ERP para consultar estoque em tempo real. Com governança estruturada, cada acesso deve ser logado, autorizado e auditável. O agente é capaz de sugerir opções alternativas quando tamanhos esgotam, sem expor dados pessoais ou gerar ofertas inconsistentes.

Transparência, explicabilidade e gestão do risco de alucinação

Modelos de IA generativa, especialmente conversacionais, podem apresentar alucinações — respostas incorretas ou extrapolações. Por isso, um dos tópicos tratados em uma governança bem estruturada deve, fundamental definir como controlar esse risco.

Como a governança reduz alucinações:

  1. Educação do usuário — orientar equipes sobre como estruturar boas interações e prompts.
  2. Limites técnicos — configurar salvaguardas, escopos de resposta e checagens contextuais.
  3. Fallback inteligente — redirecionamento para humanos quando a IA detecta baixo nível de confiança.
  4. Curadoria contínua — avaliar logs, revisar casos de exceção e treinar o modelo periodicamente.

Nos projetos desenvolvidos pela Connectly, esse olhar é desenvolvido incorporando a lógica de negócios diretamente nos agentes, reduzindo liberdade excessiva da IA e aumentando previsibilidade, um pilar fundamental da governança.

Governança de IA e LGPD: segurança como diferencial competitivo

No varejo, LGPD não é apenas obrigação legal, mas um fator de confiança e diferenciação.

A governança garante que a IA cumpra os requisitos de:

Situações críticas para o varejo

Uma governança bem estruturada impede usos indevidos e reduz riscos regulatórios, garantindo conformidade em escala.

Integrando jornada completa: governança como antídoto contra silos

Um dos maiores desafios dos varejistas brasileiros é a fragmentação entre áreas. A governança de IA ajuda a:

Quando a IA conversa com ERP, CRM, e-commerce e atendimento, ela não apenas automatiza, mas coordena o funil inteiro com inteligência e segurança.

Compliance operacional: o varejo precisa de tecnologia + expertise

Governança não se sustenta apenas com ferramenta. Por isso, é fundamental ressaltar o quanto o varejista precisa de expertise humana para interpretar dados, validar fluxos, auditar decisões e orientar ajustes contínuos.

A Connectly atua como boutique de inteligência, combinando:

Essa combinação reduz riscos, acelera time-to-value e permite que o varejista navegue com segurança nesse território ainda novo.

Governança de IA como motor de resultados no varejo

Com governança bem implementada, a IA deixa de ser um experimento e se torna um ativo estratégico:

Em um varejo cada vez mais orientado por dados, a governança de IA é o pilar que sustenta segurança, eficiência e crescimento sustentável.